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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Esperança

Vivo nesse absurdo,
procurando um sentido
aquele há muito perdido,
claro, raso, profundo.

Mas quando não posso achá-lo
e quase me perco ao fazê-lo,
me agarro na segurança
dessa falsa esperança.

Esperança que agora me entrega,
imersa na antiga paixão
que se debae, mesmo no chão
daquele poço onde fora atada.

Será que o sentido de tudo,
se trancou junto à paixão?
Por causa de um absurdo
entregou-se à colisão.

Colisão de sentimento,
que se chocou com a paixão,
e no debater desse tormento,
quem ganhou foi a razão.

Mas mesmo tendo ganhado,
depois de tanta turbulência,
a razão entregou-se à demência,
e atirou-se à dormência calada.

E assim, sem razão ou emoção,
e com medo da segurança,
vou em busca daquele sentido,
vivendo pela esperança.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Durma medo meu.

Durma medo meu,
embalado em agonia.
Durma esse sono frio,
essa falsa calmaria.

Durma medo meu,
pois logo após a calmaria,
se segue a tempestade
e a atordoante histeria.

Num relance de esperança,
reavivada a confiança,
confio em demasiado,
e acabo desapontado.

Pois essa é a realidade,
nua, crua, revelada.
E assim apresentada,
nos atordoa com a verdade.

Verdade que no mundo morreu,
pelos fracos assassinada,
e sendo assim amenizada,
Pode dormir, medo meu.