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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Esperança

Vivo nesse absurdo,
procurando um sentido
aquele há muito perdido,
claro, raso, profundo.

Mas quando não posso achá-lo
e quase me perco ao fazê-lo,
me agarro na segurança
dessa falsa esperança.

Esperança que agora me entrega,
imersa na antiga paixão
que se debae, mesmo no chão
daquele poço onde fora atada.

Será que o sentido de tudo,
se trancou junto à paixão?
Por causa de um absurdo
entregou-se à colisão.

Colisão de sentimento,
que se chocou com a paixão,
e no debater desse tormento,
quem ganhou foi a razão.

Mas mesmo tendo ganhado,
depois de tanta turbulência,
a razão entregou-se à demência,
e atirou-se à dormência calada.

E assim, sem razão ou emoção,
e com medo da segurança,
vou em busca daquele sentido,
vivendo pela esperança.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Durma medo meu.

Durma medo meu,
embalado em agonia.
Durma esse sono frio,
essa falsa calmaria.

Durma medo meu,
pois logo após a calmaria,
se segue a tempestade
e a atordoante histeria.

Num relance de esperança,
reavivada a confiança,
confio em demasiado,
e acabo desapontado.

Pois essa é a realidade,
nua, crua, revelada.
E assim apresentada,
nos atordoa com a verdade.

Verdade que no mundo morreu,
pelos fracos assassinada,
e sendo assim amenizada,
Pode dormir, medo meu.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Entendimento do sentimento

Se eu estou preso nesse isolamento,
grito um nome quando vem a saudade,
mas sem ninguem pra ouvir meu lamento,
fico aqui lembrando a felicidade.

Felicidade se foi como o vento,
que soprou quando aquietava meu peito,
Peito atado, que atou um sentimento,
que ainda morto, revira em seu leito.

E nesse paradoxo de apatias,
e amores entrelaçados, vivo,
mesmo sem conseguir viver em paz.

Mas espero que ao passar desses dias
de solidão e de amor inativo,
uma esperança vem, e a luz me traz.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Soneto ao ciúme

a deixa do ciúme a mim já veio,
e a causa dessa angustia velada,
que se revolta aqui dentro guardada,
velada, guardada, e partida ao meio.

a situação que se torna a deixa,
a distância que me remete à causa,
a revolta que não me deixa pausa,
e esse tormento que jamais me deixa.

a revolta que se traduz em dúvida,
a pulsação que impulsiona essa vida,
e que se traduz em desconfiança.

mas quando no peito de um sonhador,
ao estar presente também o amor,
se ameniza e vira a calma esperança.

domingo, 31 de outubro de 2010

Soneto a uma amizade

uma amiga por acaso,
mas uma amiga em qualquer caso.
um poema prometido,
e meio às pressas escrevido.

mas um poema sincero,
e escrito com muito esmero.
tenho um passo lento,
pois assim vasa o sentimento.

espero nao decepcionar,
pois nao sou muito de criar,
às vezes falta inspiração.

mas espero que aprecie,
e até se delicie,
pois veio do coração.

domingo, 24 de outubro de 2010

Antagonias

pra onde?
nunca sei pra onde, mas sei meu próximo passo.
pra onde?
sei pra onde vou, mas nao sei o caminho.
de onde?
nao me lembro mais, mas ainda sinto saudades.
de onde?
nunca me esqueço, mas nao quero voltar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Desnorteado

De onde vim,
isso eu sei.
Pra onde vou?
ja me cansei.

Aonde estou,
ainda não achei.
Pra onde vou?
um dia saberei.

Pra onde vou,
acho que sei.
Pra onde vou?
jamais direi.